terça-feira, 31 de maio de 2016

Gratidão!


Desde que a Mila nos contou sobre o pré-diagnóstico de câncer nossas vidas começaram a mudar. 

Naquele momento tinha início o milagre que Deus tinha nos preparado.

Contudo, em razão do imenso amor que nutrimos pela Mila e da alegria certa que ela nos proporcionava com sua presença física, naquela época o único milagre que cogitávamos era o físico – a sua cura física. E pedimos, acreditamos e confiamos na cura física. 

E a Mila, provavelmente já conhecedora da sua missão – embora não numa consciência humana – nos pediu e repetiu: ainda que as coisas compliquem muito não deixem de rezar por mim. E assim fizemos. 

Guiados pela Mila e inspirados em sua alegria – exteriorização da sua intimidade com Deus Espírito Santo – seguimos firmes na FÉ! E tudo o que nos propusemos a fazer, por mais que fugisse da lógica da razão aos olhos de quem não estava diretamente envolvido, foi sobrenaturalmente bem sucedido. 

Tudo na história da vida terrena da Mila teve algo de extraordinário. 

E a cada ação bem-sucedida (ingresso no MD Anderson, campanha da rifa, tutela antecipada na ação judicial, bazar, etc.), eram muitos os que dobravam seus joelhos em agradecimento a Deus, inclusive aqueles que por vezes acharam desarrazoadas algumas de nossas pretensões. 

E a evangelização que a Mila havia combinado com Deus ia ganhando envergadura. 

E foi nesse momento que Deus permitiu que a doença reduzisse significativamente, o que nos deixou radiantes. Era o milagre que tanto acreditávamos acontecendo.

Nesse tempo de sucesso do tratamento da imunoterapia, a Mila, com carinho, amor e autoridade que lhe eram peculiares, nos aprofundou na FÉ. 

Toda aquela alegria de viver aliada à saúde em ascensão nos enchia os olhos e nos impulsionava a lapidar nossa intimidade com Deus. 

E foi, então, em um segundo momento, que Deus permitiu que a doença se alastrasse. 

A nossa FÉ pareceu abalada. Porém, a Mila, com o mesmo carinho, amor e autoridade, ditou nosso ritmo. A nossa FÉ tinha que ser fortalecida, independentemente da circunstância. 

E como ela trabalhou neste propósito. Ela nos fez ver, bem além da imagem religiosa, a face de Cristo; nos conduziu a dimensionar a dor que Cristo sofreu na cruz por amor a nós; nos fez crer no poder de restauração da hóstia consagrada. 

Era simplesmente lindo vê-la receber o corpo e o sangue de Cristo. Para sempre vou guardar na minha caixinha das melhores lembranças aquele sorriso lindo no momento em que ela recebia a sagrada comunhão – era pura confiança em Deus. 

E foi assim, numa confiança inabalável no amor de DEUS, que a Mila se manteve admiravelmente forte diante de Seus desígnios. 

No dia do seu aniversário, no último dia 29/04/2016, data em que a Mila completou 33 anos, tive a oportunidade de usufruir de um tempo bom na sua companhia. 

Naquele dia, segurei carinhosamente suas mãos e lhe disse que eu tinha certeza que antes dela vir a este mundo ela tinha feito um combinado com Deus: se doar para salvar almas e corações. Eu lhe disse, com toda sinceridade e gratidão, que ela tinha salvado minha alma e meu coração. 

E ela me olhou com seu inesquecível sorriso e total serenidade e disse: Que bom Kessi Jones. Fico muito feliz. 

Ali, naquele momento, eu compreendi a missão da Mila. E quando ela partiu para os braços do Pai, embora acreditássemos – literalmente até o seu último suspiro – no milagre físico, entendemos e aceitamos os propósitos de Deus. 

O verdadeiro milagre havia se concretizado: a construção da FÉ inabalável; a confiança na vida eterna. 

Hoje, um mês após sua partida para os braços do Pai, em um momento em que a ausência física se faz mais presente, meu maior sentimento é GRATIDÃO. 

Gratidão à Mila por ter se doado por amor a nós. 

Gratidão a Deus por tê-la carregado no colo quando a força física já não existia. 

Gratidão a todos que rezaram e rezam pela Mila e por nós que aqui permanecemos. 

Que a paz de Cristo reine no coração de cada um e que esta dolorosa poda da vida não nos seja em vão; que a FÉ seja nossa sustentação. 





 Fiquem com Deus! 

Abraço carinhoso e cheio de FÉ. 

Kessi Jones (para sempre).

terça-feira, 24 de maio de 2016

Alegria: marca da presença de Deus

Chicalica,

você não se tornou uma pessoa feliz da noite pro dia! Muito menos foi o câncer que despertou em você essa virtude. Você recebeu este dom de Deus quando nasceu, sendo a marca da presença Dele em sua vida. E você soube como ninguém multiplicá-lo dentro de si, dividi-lo com o próximo, somá-lo ao nosso e subtraí-lo das adversidades. Como todos adoram contar, desde pequena era arteira, brincalhona, moleca, custosa (como se diz em Bom Despacho) e a doença não foi capaz de mudá-la. Diariamente você dizia que aquele era o dia mais feliz da sua vida e não era só da boca pra fora, mas um fato!


Ao longo de 17 meses de batalha, você riu da doença sempre que pode, não que estivesse tirando o valor da vida, mas justamente o contrário, o tempo era único, era a oportunidades de se viver com alegria e você não podia perdê-lo com tristeza. Em raros momentos te vi descontente, desanimada ou lamurienta. Durante o tratamento, por mais duro e dolorido que fosse, você sempre fez questão de encará-lo com positividade e alegria.



        Em dia de biópsia, posando com a máscara de radioterapia e tocando o sineta na última sessão

Quando foi diagnosticada a doença, você teve momentos de lágrimas, mas me lembro muito mais dos risos que vieram logo em seguida. Disse pra todos em tom de brincadeira que não queria saber de "chororô", que as pessoas negativas seriam as primeiras a serem cortadas do seu círculo de relacionamento. Ao se despedir das madeixas foi rindo da queda dos cabelos, pedindo para tirarmos fotos e foi fazendo piadas estampando seu sorrisão nas poses! Brincou muito com a própria "carequísse", mas bem que aproveitou também para usar seus lenços, chapéus e abusar da maquiagem. Você é bela maravilhosa de todas as formas!



                                       Se despedindo da cabeleira e curtindo o novo visual

Os sorrisos sempre foram sua marca registrada, mas as palhaçadas e caretas eram tão frequentes quanto e ficarão gravadas pra sempre nos nossos corações! A lição que nos deixou não foi de dizer que não existe infelicidade ou angústia, mas sim que não há tempo para cultivá-los por muito tempo...que caso a doença e a depressão fossem colocados em primeiro plano, reduziriam gradativamente as razões de brigar pela vida. Portanto, sua batalha foi vencida sempre mantendo o ânimo no lugar do cansaço, a coragem no da fraqueza e a felicidade no da tristeza. Realmente Chiquinha, a vida é um presente de Deus muito precioso e breve para não aproveitarmos e curtirmos a cada instante com alegria!


                                         Pose para a hidroginástica e caretas para lavar roupas, kkkk

A saudade vem apertando o peito, todo dia mais, mas a lembrança de suas gargalhadas nos fazem retomar o rumo e continuar a nossa missão.

Beijocas do seu Chicolico que te ama eternamente muito demais

terça-feira, 10 de maio de 2016

Até breve...

Chicalica princesa,

a saudade tem nos doído muito, sentimos falta das suas gargalhadas, da sua braveza, da sua voz estridente, das suas caretas para os remédios, das noites assistindo série, dos lanchinhos da madrugada, dos seus textos no Diário... Apesar da saudade não temos o direito de sermos egoístas e nos entristecer com seu merecido descanso! Você foi uma guerreira durante toda sua vida, batalhou desde pequena para conseguir tudo o que conquistou e nos últimos 17 meses guerreou com uma doença incurável já avançada sem recuar um instante sequer. Foram pouquíssimos os dias de fraqueza e desânimo e apesar deles estarem ficando cada vez mais frequentes, até na última quarta-feira estávamos ainda convictos que a cura física viria!

Um dos legados que você nos deixou foi a confiança incondicional nos propósitos do Pai. Na maioria das vezes, sem saber qual caminho seguir, você se entregava à oração e a resposta não demorava a vir... após um banho demorado com água escaldante lá vinha você com os encaminhamentos dados por Deus. Não era difícil seguir o caminho, pois os sinais eram claros, com o Seu Espírito Santo guiando e Seus milagres desmistificando o “impossível”.

Pude vivenciar e testemunhar sua alegria diariamente, independente da situação em que nos encontrávamos. Seu sorriso estampava logo cedo, seja de jejum forçado, com ‘suco da bruxa’ ou com café, mas em especial após receber a Eucaristia na missa pela manhã. Ao longo do dia trabalhava com bom humor, enfrentava jornada de exames, remédios e tratamentos com a mesma alegria, sempre com brincadeiras e zueiras, fazendo com que tudo parecesse tão leve e sereno.

Durante toda a caminhada você foi capaz de cativar amor, carinho e respeito por onde passou. Preocupava-se com os companheiros de luta ao câncer, colocava o nome de todos aos pés de Jesus em nosso altar, orando em especial por cada um. Todos queriam ouvir sua experiência e sua opinião, sempre forte e decidida, diante das dificuldades. Você estava sempre aberta a ouvir, a aprender, a discutir... Incentivou a solidariedade, criou grupos de vigília de oração e de intercessão, ajudou campanhas, e tudo isso será sempre lembrado, pois modificou o modo como enxergamos o próximo que está ao lado.

O milagre que todos esperávamos veio, vivemos agora em um mundo certamente diferente daquele de antes do câncer. Foram muitos os testemunhos de fortalecimento de fé. Muitos os depoimentos de novas relações de família, de marido e esposa, de mãe e filhos, de irmãos. Novas formas de enxergar as adversidades e as dificuldades da vida. Você cumpriu sua missão, “combateu o bom combate, encerrou a jornada e guardou a fé” 2 Ti 4,7. Sua batalha foi vencida, pois não se tratava apenas de uma guerra à doença, mas principalmente contra a incredulidade, a indiferença, o apego às coisas do mundo, a limitação científica, a desesperança.

Saudades serão eternas e assim devem ser, para que seu testemunho permaneça vivo em nós. Tristeza não, pois a certeza da ressurreição e da sua glória junto de Jesus nos alegram por saber que em um futuro breve estaremos juntos novamente. Nosso amor, que transcende o mundo físico, permanece ardente e intenso até este dia chegar.

Certamente você chegou aí festejando, livre de dores, de angústias, de tristeza. Já deve estar dominando e palpitando em tudo, se bem conheço. Olha por nós... Não se esqueça de interceder pelos que aqui ficaram... Ajuda-nos a recordar sempre do seu exemplo e do seu testemunho de alegria, amor e fé.

Beijos saudosos do seu Chico Lico...te amo muito demais


p.s.: nos encontramos amanhã (11/05) na missa, às 19h na paróquia Santo Antônio onde casamos!

p.s.2: conforme combinamos, o Diario de Milagres não irá parar, vamos levar seu testemunho ainda para muitas pessoas!

p.s.3: abaixo algumas das muitas mensagens de carinho que foram enviadas pelos amigos!